
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), disse que seguirá a determinação da direção nacional do partido e não descartou a possibilidade de compor como vice a chapa do chefe do Executivo paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em uma eventual disputa à Presidência em 2026.
“Eu sou um soldado do partido, e o soldado acompanha aquilo que o general determina. O partido tem a direção nacional e eu já falei que eu farei o que for melhor para o partido”, declarou ele na saída do seminário “Rumos 2025”, organizado pelo jornal Valor Econômico, em São Paulo.
Na semana passada, o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, teve uma reunião fechada com Tarcísio no Palácio dos Bandeirantes. Segundo o g1, o encontro tratou da disputa presidencial do ano que vem e ficou acertado que a intenção é estar “na mesma trincheira” da direita, o que não necessariamente envolve uma chapa única.
Apesar disso, há quem defenda nos bastidores da legenda uma composição com o governador paulista, que tem se mostrado o candidato de oposição mais competitivo para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em pesquisas como a AtlasIntel, divulgada no dia 7. Em um dos cenários sem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Tarcísio aparece com 32,3% das intenções de voto, contra 4,5% de Zema.
Outro levantamento, da Genial/Quaest, aponta que Tarcísio é favorito para o 2º turno contra o petista em alguns estados, como São Paulo, Goiás e Paraná, mas perde em outros, como Bahia e Pernambuco. Apesar de aparecer numericamente à frente em Minas Gerais, os dois empatam dentro da margem de erro. Zema, por outro lado, tem boa aprovação e leva vantagem na simulação.
O governador mineiro rebateu ainda o fato de o Novo não ser um grande partido e enfrentar a concorrência de outras siglas maiores, como o PL de Bolsonaro, na articulação de uma chapa liderada por Tarcísio. Zema descartou deixar a legenda e disse estar “bem confortável”.
“O Novo não faz politicagem e prefere até perder eleição do que fazer o conveniente.”
Rumos
Além de Zema, os governadores do Pará, Helder Barbalho (MDB), e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), participaram por videoconferência do evento do Valor. Ambos trataram de propostas na agenda ambiental e investimentos nos respectivos estados, enquanto o mineiro preferiu destacar as medidas econômicas adotadas depois da gestão do petista Fernando Pimentel.
“Estamos seguindo a regra do liberalismo: vida, propriedade privada e liberdade de expressão. Ninguém é perseguido em Minas Gerais, bandido é preso, não tem invasão de terra, a propriedade privada é sempre preservada e damos total apoio aos empreendedores”, disse Zema.
Castro evitou comparações com outros governos e defendeu a produção de combustíveis fósseis aliada a projetos ambientais para reduzir a pegada de carbono. Segundo ele, essa agenda passa por incentivos fiscais a empresas dos setores de óleo e gás, construção civil e minério para executarem planos de descarbonização.
O contraponto governista ficou a cargo de Barbalho, que é aliado do presidente Lula e recebe a COP-30, em Belém, em novembro deste ano. Um de seus irmãos, Jader Filho (MDB), é ministro das Cidades. Ele cobrou mais investimentos do mercado de carbono no estado e disse que a capital do Pará pode se tornar uma referência para a preservação da biodiversidade na Amazônia.
“O Pará deve liderar a produção alimentar com rastreabilidade, mostrando força na pecuária e na agricultura, mas fortalecendo a atividade que restaura áreas de produção. O mercado de carbono deve impulsionar essa nova vocação estratégica, atraindo investimentos verdes e turismo.” (Com informações do jornal O Globo)