Coração com dobro do peso normal: julgamento detalha autópsia de Maradona

O julgamento que discute as circunstâncias em torno da morte de Diego Armando Maradona revelou detalhes e imagens da autópsia. Após a apresentação dos documentos, o médico aposentado e comissário de polícia Carlos Mauricio Cassinelli, testemunhou sobre sua participação no procedimento no corpo do astro argentino, falecido em novembro de 2020.

O especialista afirmou que o craque sofreu até 12 horas de agonia. Ele também afirmou que o coração do argentino pesava 503 gramas, o dobro do peso normal para uma pessoa de sua idade, e que ele tinha 4,5 litros de líquido no corpo. Segundo a testemunha, Maradona tinha três litros de água somente no abdômen: meio litro em cada pulmão e o restante na cabeça.

O peso do coração, segundo a testemunha, era porque “estava acima do peso, tinha muita gordura e estava dilatado. Ele tinha cardiomiopatia dilatada”.

“[A retenção de líquidos] não se forma de uma hora para outra. É gradual. Do momento em que foi submetido [a uma cirurgia de hematoma subdural na cabeça na Clínica Olivos] até o momento da morte? Pode ser”, se perguntou um dos médicos que participaram da autópsia, respondendo a si mesmo.

Cosme Iribarren, um dos promotores adjuntos responsáveis ​​pelo caso em San Isidro, perguntou se foi um evento “repentino, agudo e inesperado”.

A testemunha, olhando para os juízes Verónica Di Tommaso, Maximiliano Savarino e Julieta Makintach, membros do Terceiro Juizado Penal (TOC) de San Isidro, que estavam encarregados da audiência, disse sem hesitar:

“Eu diria que não. Ele foi retendo água ao longo dos dias. Foi algo previsível. Não foi uma morte repentina, aguda e imprevisível”, destacou.

Cassinelli começou sua declaração descrevendo os passos iniciais tomados na sala do bairro privado de San Andrés, em Tigre, onde o corpo de Maradona foi encontrado. A autópsia começou às 19h de 25 de novembro de 2020, no necrotério do Hospital Provincial Petrona V. de Cordero, em San Fernando.

A partir daquele momento, ele fez um relato detalhado de como o procedimento foi realizado. Ele se baseou nas fotografias da autópsia incluídas no arquivo. Como de costume, começou pela cabeça.

“A massa cerebral estava muito congestionada, edemaciada, devido à água. Pesava mais do que um cérebro normal”, disse ele, apontando para as imagens exibidas em uma tela de TV.

A autópsia continuou no pescoço.

“Encontramos líquido nas cavidades pleurais, aproximadamente meio litro em cada uma. Ou seja, os pulmões estavam muito túrgidos, com aumento de peso. Estavam cheios de água”, afirmou o profissional, que se tornou diretor de Medicina Legal da Superintendência de Polícia Científica da Polícia de Buenos Aires.

Sobre a causa da morte determinada pela autópsia, da qual participaram cinco médicos legistas e um sexto observador, em nome de Dalma e Gianinna Maradona, a testemunha firmou: “Edema pulmonar agudo secundário a uma insuficiência cardíaca congestiva exacerbada e miocardiopatia dilatada”.

“A equipe de Maradona, especialmente os enfermeiros, deveriam estar cientes dos sintomas?”, perguntou o advogado Eduardo Ramírez, que representa Diego Armando Maradona Jr., o filho italiano do ex-camisa 10.

“Sim”, respondeu o médico.

Na opinião de Cassinelli, Maradona não era um paciente para ficar em casa e, nesse caso, deveria ser monitorado a cada quatro horas. De acordo com os relatórios que ele conseguiu ver, o argentino não era monitorado desde 0h30 de 25 de novembro de 2020, dia de sua morte.

A segunda testemunha na audiência foi outro especialista que participou da autópsia. Este é Federico Corasaniti, que foi chefe do Corpo Médico Forense do Departamento de San Isidro ou Poder Judiciário. Foi uma declaração muito semelhante à feita por Cassinelli. Ele falou de uma “certa agonia sustentada” do paciente e explicou o que isso significa.

“O período agonizante é o período em que, uma vez iniciada a morte, ela é inevitável. Pode ser curto ou longo, dependendo da patologia. Períodos ultracurtos não permitem que coágulos se formem dentro das cavidades; não há tempo suficiente”, disse ele.

Maradona tinha coágulos nas câmaras cardíacas. Corasaniti disse que as condições do paciente poderiam ter sido notadas dias antes.

“Era observar e notar o inchaço. Era tocar os dedos dos pés, sentir o estômago ou tocar as unhas”, afirmou.

As informações são do portal de notícias La Nación.

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